Tropea fica na região da Calábria, no extremo sul da Itália, na ponta da “bota”, a cerca de 460 km de Roma; tem cerca de 7 mil habitantes, é a cidade mais famosa da Calábria, conhecida como a pérola do Tirreno, e é a cidade da cebola roxa doce ( cipolla rossa di Tropea ) e da ‘nduja, um tipo de salame picantíssimo. Apelidada como “Costa dos Deuses” devido à sua beleza, a região é famosa por suas falésias com dezenas de metros de altura, e que são banhadas pelas águas esverdeadas do mar Mediterrâneo. E Tropea foi eleita, em 2018, a segunda praia mais bonita da Itália.

  

A história de Tropea começa nos tempos romanos, e devido à sua posição característica com vista para o mar, desempenhou um papel importante, tanto em tempos romanos ( atestado pela pedreira de granito que está localizada a cerca de 2 km da cidade, no atual município de Parghelia ), como na época bizantina; há muitos restos deixados pelos bizantinos, como a igreja no promontório ou as muralhas da cidade ( chamadas “muralhas de Belisário” ). Depois de longa insistência, a cidade foi tomada pelos normandos, sob os quais prosperou, e continuou a prosperar mesmo sob o domínio dos aragoneses.

A lenda local afirma que Tropea foi fundada pelo filho de Zeus, Hércules. Segundo a lenda, a cidade era tão bela que foi dada como troféu ao personagem da mitologia grega após concluir seus 12 trabalhos. Durante o período romano, o nome em latim era Tropheum, mas depois foi batizada com uma derivação de sua antiga nomenclatura, Tropea.

  

É uma cidade bem pequena e em 10 minutos se caminha da estação ferroviária até o centro da cidade, sem dificuldade; mas a volta ( centro x estação ) é em subida, então, tenha um pouquinho de disposição ou peça um táxi. Trens regionais fazem o percurso entre Tropea e Lamezia Terme Centrale a cada uma hora ( não tem trem direto até Tropea ).

A cidade é construída sobre uma montanha, a uma altura que varia entre cerca de 50 metros no ponto mais baixo e 61 metros no ponto mais alto, e é essa a altura que se deve descer para chegar até a praia. Se pode descer em diversos pontos mas, o principal é perto do santuário, e é onde eu recomendo. E para quem quer mergulhar para observar o fundo do mar, recomendo o lado esquerdo do santuário, porque no lado direito as ondas deixam o mar mais agitado e não permitem uma boa visualização.

  

  

O mar é tão lindo que a gente não consegue parar de fotografá-lo…( sem filtro!! )

  

  

O antigo santuário beneditino ( Igreja de Santa Maria dell’Isola ), existente desde o ano 370, de origem basílica, e reconstruído na era gótica, durante séculos foi o refúgio de eremitas e marinheiros, uma vez que não era ainda ligada ao continente ( um terremoto e um tsunami, ocorridos em 1783, fizeram com que o rochedo ficasse ligado ao resto da cidade ). O santuário é acessado através de uma escadaria esculpida na rocha da ilhota. Em torno da igreja há um belo jardim cheio de plantas mediterrânicas, e com uma vista maravilhosa do mar, oferecendo uma visão geral muito sugestiva de toda a costa. Ao fundo você pode ver as Ilhas Eólias com a Stromboli e a Vulcano, a Sicília com o majestoso Etna, e o mar Tirreno à frente.

  

 

As praias de Tropea são muito brancas e contrastam de uma forma mágica com um mar absurdamente cristalino e de cores que variam de turquesa a azul intenso. O centro histórico é cheio de igrejas de várias épocas, e palácios nobres sugestivos que abrigam tesouros e mobiliário urbano precioso em excelente estado. Caminhando pelo centro histórico você vai descobrir pequenas lojas de artesãos de madeira, ferro, tecidos e terracota. E também pequenas lojas de agricultores locais que vendem produtos típicos locais ( azeite, vinho, doces, ovos frescos, frutas secas e da estação, cestas de vime, salame picante, como o famoso “Nduja di Spilinga”, as cebolas de Tropea com todos os seus derivados, como compotas e muitos outros produtos da alta gastronomia da Calábria ).

   

Confesso que Tropea me lembrou como era Cabo Frio, no interior do Rio de Janeiro, há uns anos ( hahahaha!! ), pois é uma cidade totalmente praiana e baseada no turismo praiano, ou seja, funciona de maio a setembro…cheia de lojinhas de artesanatos típicos, de lembrancinhas, de coisas de praia ( cadeira, prancha, boias, saídas, baldinho, barraca… ), restaurantes fofos onde degustar a maravilhosa gastronomia local, lojas de aluguel de carros, motos, bicicletas, e se encontra sandália Havaianas com bandeirinha do Brasil por todo lado.

  

Além de curtir a praia, uma das coisas que recomendo fazer em Tropea, é contratar uma excursão para fazer um passeio de barco pelo litoral. A costa é cheia de pontos interessantes, como grutas, enseadas e praias, onde é possível chegar somente de barco. Quem gosta de mergulho não pode deixar de conhecer o espetacular fundo do mar de Tropea, com uma variada vida marinha e até mesmo destroços de navios da segunda guerra mundial. Mas se possível, veja a previsão do tempo com antecedência, pois em dias de mar agitado os barcos não saem.

Pelas ruas de Tropea…

  

Uma granita maravilhosa, de côco e abacaxi, para recobrar as forças após a subida dos mais de 50 metros de escada.

Como já comentei, embora bem pequena, Tropea tem bastante igrejas, e eu visitei três, além da Santa Maria dell’Isola, obviamente.

1) Catedral de Tropea ( Catedral de Maria Santíssima da Romênia ). Construída no século XII, pelos normandos, toda em tufo amarelo e pedras de lava; e transformada no século XVII em estilo barroco. Foi restaurada diversas vezes por motivo de terremotos. No interior abriga o ícone da padroeira da cidade, a Virgem da Romênia; e outra obra que merece atenção é o crucifixo negro.

  

   

2) Chiesa di San Francesco e Convento della Sanità / Chiesa dei Cappuccini. A igreja e o convento foram construídos graças a generosidade de um nobre tropeani. As obras começaram em 1548 mas foram interrompidas e a estrutura passou a ser usada como hospital, até ser reestruturada há algumas décadas. Na minha humilde opinião, é a mais bonita das igrejas que visitei em Tropea.

  

3) Chiesa del Rosario. Adjacente ao antigo convento Agostinianos, preserva o esquema planimétrico original do século XVII, com a nave abobadada retangular, e uma cruz de capelas laterais…um dos poucos exemplos existentes na Calábria desse tipo planimétrico de projeto.

        

ONDE COMER:

Comi em quatro restaurantes e só o primeiro não me empolgou muito, mas não era ruim: Ristorante Carpe Diem…recomendado pelo hotel. Comi pasta alla cipolla di Tropea.

No segundo dia, fiz uma pesquisa e descobri o restaurante Genius Loci. Quando saí da praia, passei lá e reservei minha mesa. Maravilhoso, e com um super visual do santuário de Santa Maria dell’Isola, para quem fica na parte externa, ou seja, reserve e peça fora. Pessoal mega simpático e preço na média: 2 pratos ( antipasto e secondo ) + vinho + doce = 48 ( 15 euros por prato ); ok que não é barato para uma refeição, mas não significa que não valha à pena; e como eu passava o dia na praia, e não almoçava, só tomava café e jantava então…super aceitável o preço.

Antipasto: Calamaretti ripieni di burrata su crema di pane e ceci / tortino di branzino con pesto di verdure / millenium di melanzane con gamberetti al basilico ( lula recheada com creme de pão e grão-de-bico / robalo com pesto de vegetais / milenium de beringela com camarão e manjericão ).

Secondo: Tagliata di tonno pinna gialla con cipolle rosse e mentuccia ( cortes de atum amarelo com cebola vermelha e menta ).

                    

Enquanto pesquisava o restaurante no segundo dia, descobri um restaurante brasileiro, e resolvi ir nele na última noite: Ristorante Picanha, restaurante italo-brasileiro. Comi uma picanha dos deuses, com arroz, feijão, e molho vinagrete…matei as saudades. Funcionários também megasuperhiperultra simpáticos, inclusive o proprietário, Sr. Paolo, que foi muito atencioso, e fez, a pedido meu, minha caipirinha com vodca, embora não seja como eles fazem. A conta deu 48, com 2 caipirinhas e sobremesa.

   

Falando da sobremesa, o gelato di tartufo é a especialidade da cidade vizinha, Pizzo, mas se acha em todos os restaurantes de Tropea. Bom?? Sim! O tal espetáculo que dizem? Sinceramente, não achei ( e comi nos três restaurantes em que jantei ).

        

Para me despedir, almocei no Tre Fontane, no centro histórico. Segui na culinária local e pedi frutos do mar. Um ES PE TÁ CU LO, gente!!! A conta deu 38, mas não comi sobremesa, e tomei refrigerante no lugar de vinho ou caipirinha.

Antipasto: Carpaccio di pesce spada.

Primo: Filej alla Pescatora

    

      

Provei também os arancini ( um bolinho de arroz ) de cebola de tropea e o de pistache…muito bons!!!

ONDE SE HOSPEDAR:

Me hospedei no Hotel La Perla e, para quem não liga para luxos e só quer um lugar para dormir bem e ter um café da manhã, vale à pena. O hotel fica a 500 m da escada que dá acesso à praia, no ponto do santuário de Santa Maria dell’Isola. O hotel é bom, e só deixou a desejar no tamanho do box no banheiro, que era beeeeem pequeno ( mas sinceramente, não sei se ocorre só em quartos single )…mas localização boa, wi-fi bom, ar condicionado, ambiente silencioso, elevador, funcionários muito atenciosos, café bem satisfatório ( até com ovo mexido e mel pingando do favo in natura ), um pequeno bar no térreo, enfim, me atendeu bem.

E mais um pouco da pérola do Tirreno!!!

  

  

 

 

3 Replies to “Tropea”

  1. Maravilhosa explanação de detalhes, tão importantes e necessários em uma viagem. Lugar lindíssimo, que não poderá faltar na primeira oportunidade que tiver. Parabéns!!!

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