Lecce não está entre as cidades mais famosas do turismo italiano mas isso não significa que não seja um encanto, muito pelo contrário. É uma comuna italiana da região da Puglia ( no salto da bota ), é a principal cidade da península salentina, e uma das cidades mais interessantes da região por suas características arquitetônicas, tipicamente do século XVII. Fundada há mais de 2000 anos pelos Messápios, foi ao longo dos anos parte do Império Romano, do Bizantino, do Normando e do Espanhol. De acordo com a lenda, a cidade de Síbaris ( como era chamada Lecce ) já existia antes da Guerra de Troia

No século XV Lecce era já uma das mais importantes cidades do sul da Itália, e em 1630 dá-se início a construção de vários edifícios religiosos que iriam dar o aspecto barroco da cidade. Em 1656 Lecce foi assolada pela peste causando um milhar de vítimas, o baixo número de vítimas foi atribuído à intervenção miraculosa de Santo Oronzo, tendo este sido proclamado patrono da cidade.

A apenas 12 km do mar Adriático, é conhecida como a Florença do Sul devido à riqueza do Barroco em todo o centro histórico, e em especial, na Igreja de Santa Croce (Chiesa di Santa Croce) e praça da Catedral (Piazza del Duomo). Possui também importantes ruínas da Roma Imperial, como o anfiteatro do século II d.C., adjacente à Piazza Sant’Oronzo, e que oferece uma visão impressionante da história que atravessou a cidade.

O denominador comum da exuberância barroca peculiar à cidade, é a pedra Lecce, tão suave e quebradiça que os mestres pedreiros foram capazes de realizar bordados refinados que atingem o ápice da beleza na Basílica de Santa Croce e depois continuam na espetacular Piazza Duomo, onde a torre do sino se destaca, assim como a vista do palácio do bispo e do belo palácio do Seminário.

Chiesa di Santa Croce

Chegamos a Lecce de carro e, saindo de Roma, não é uma viagem curta, são cerca de 590 km que se percorre em cerca de 6 horas; mas se pode chegar de trem, ou até mesmo de ônibus ( estando sempre atento ao valor das passagens, duração das viagens, e quantidade de baldeações, para ver o que vale mais à pena ); e para quem já está mais ao sul da Itália, a viagem é mais curta, logicamente.

Nossa hospedagem era bem próxima do Centro histórico e eu suuuuuuuper recomendo…Palazzo Massari. Chegamos à noite, super cansados, e confesso que a primeira impressão do prédio não foi boa mas, ao entrar, era tudo um sonho, lindo, limpo, espaçoso, confortável, com café da manhã, e a anfitriâ era uma simpatia, ou seja, superou as expectativas. Perto tinha mercado, e no quarto tinha geladeira ( não era frigobar, era geladeira mesmo ), então, bastou fazer algumas compras e ficou tudo muito tranquilo.

  

No dia seguinte, saímos após o almoço para rodar pela cidade e logo chegamos à Porta Rudiae, um dos antigos acessos à cidade, e por onde entramos na parte histórica.

Seguimos pela Via Giuseppe Libertini até a Piazza del Duomo, outrora usada como uma cidadela fortificada e agora considerada a mais elegante “sala de estar” da cidade. A grandeza do Duomo, o alto campanário de cinco andares, o Palazzo Vescovile e o Palazzo del Seminario marcam o perímetro da praça, uma das obras monumentais que melhor representam a magnificência do estilo Lecce.

  

Depois seguimos pela Via Vittorio Emanuele II até a Piazza Sant’Oronzo e o anfiteatro. A era romana é testemunhada pelos restos do anfiteatro que no verão se torna o palco excepcional para performances teatrais.

Símbolo do período renascentista é o Palazzo del Seggio, conhecido como o “Sedile”, que hoje abriga importantes exposições de arte, e a Igreja de Santa Maria delle Grazie, guardiã de interessantes afrescos e obras de madeira.

  

E de lá seguimos até o Giardini Pubblici, onde tinha uma simpática feirinha de artesanato local.

Muitas igrejas serpenteiam pelas ruas fechadas pelos três portões antigos da cidade: Porta Rudiae ( já mostrada ), Porta San Biagio e Porta Napoli.

               

Teatro Apollo, inaugurado em 1912, e reaberto ao público em 2017.

Mas as terras de Lecce não limitam sua generosidade às belezas artísticas e às da longa costa marítima. Mesmo o interior, com suas paisagens amplas, sítios naturais e importantes testemunhos pré-históricos, oferecem uma gama de oportunidades que não devem ser subestimadas por aqueles que decidem passar suas férias na região.

ONDE COMER:

Optamos por experimentar algo da culinária local e, seguindo pesquisas, descobri que os pratos típicos são: Primi ( os primi são sempre massas/carboidratos ) – Ciceri e tria ( uma massa com grão-de-bico ), orecchiette al sugo ( uma massa recheada com ricota de ovelha ), sagne n’cannulate ( tagliatelle ao molho de tomate, manjericão e ricota ); os secondi ( os secondi são sempre proteínas ) – municeddhe ( um tipo de minhoca, sim, minhoca ), cavallo al sugo ( pedaços de carne de cavalo ao molho de tomate ), la fracaja ( pequenos peixes empanados e fritos ), polpo alla pignata ( polvo cozido em uma panela específica, a pignata ), taieddhra ( abobrinha, alcachofra, batata, cebola, tomate, queijo e salsa ). Fomos ao restaurante Osteria degli Spiriti, na Via Cesare Battisti 4, e provamos a carne de cavalo. Uma DE LÍ CIA!!!!!!!!!!

 

 

 

 

One Reply to “Lecce”

  1. Amei a cidade de Lecce e sua originalidade histórica, sem contar a beleza das igrejas. Hospedagem excelente e gastronomia original e deliciosa.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *